Cada passo é o encontro daquilo que sou, daquilo que acredito. Enxergo tudo o que me causa proximidade. Caminho porque não posso parar Me busco, pois, preciso ter um sentido... Minha mente percorre caminhos, além dos que posso pisar... Meras imagens? Paisagens são imagens da alma. Por onde quer que andemos, encontraremos reflexos de nós mesmos. Caminhos são escolhas... "Alquimia é reter as montanhas no olhar. O Himalaia, o Himalaia, o Himalaia inteiro..."
Meras Imagens...
Karen Facchinetti
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Frio de Zafón
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Intervozes
domingo, 29 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Poema de Aniversário
Desperta, chora, grita!
Arranca do peito esse ar que te habita.
Que te faz livre.
Vamos, consiga!
Bata forte, assopre, aperte o gatilho da vida.
Nascer, renascer, encontrar o prazer divino.
Vamos lá, em frente!
Anda e vê como tudo é passageiro
Como ser humano é profundo
E olhar o céu é sagrado
Espia a espreita a tua chegada
Afugenta o drama, que a tristeza volta sempre!
É inevitável
Acorda a esperança!
Ei, olha, enxerga!
Mais uma vez você vive.
Nada mais importa, nada mais surpreende.
Ninguém vê sua chegada,
Nem as folhas que caem contigo.
Sorria, umedeça os olhos. Brilhe!
Veja... amanhece.É dolorida a chegada.
Sua presença permanece.
Escuta agora com atenção!
Ouvidos , alma, coração
Chove aqui dentro, nada muda...
Só há o silêncio... Escuta... Só escuta...
sábado, 7 de janeiro de 2012
menina que sevaca o mar...
1 - a menina que secava o mar...
Chorou dois dias incessantes. Uma correnteza de lágrimas desembocavam em solidão. Lágrimas arrastadas pela força da vida que cobra da fonte a água cristalina. Depois de tanto passear, de perambular brilhosa e transparente, retorna poeirenta e, pesada.
A meninota, miúda e pálida, que um dia coube numa caixinha de sapato, chorava na intensidade do bravo mar, aquele que profana dias difíceis.
Secava o mar com força e intensidade, porque não gostava de chorar. Mas o mar que não seca, molha, e a menina que secava o mar, molhava-se de saudade.
Lembrou um dia de sábias palavras: a vida retorna ao centro com força, intensidade e gratidão. Chorar é preciso menina, mas seque as lágrimas que desembocam no coração.
E a menina que chorava, chorava em forma de oração. Orar era seu maior conforto.
E assim, secava as orações que no coração mergulhavam. O mar bravejou por dias dentro daquele corpinho, que ausente de conforto, sem enxergar cais, navio ou qualquer sinal de vida, apenas sentiu o frio do desalento.
Seu peito que forte batia, no descompasso de melancolia recente, sentia fome, sentia sede, sentia saudade. Sentia o gosto molhado e seco das lágrimas, não de uma tristeza, não da morte, mas de uma nova força que as águas anunciam.
Secar o mar era sua oração, chorar, sua força para abrandar águas turbulentas de um ciclo que termina ...
2 - a menina que secava o mar...
Todos os dias Ceci se entregava aquele ritual. Agachada rente aos pés de tanto sentimento, o mar engrenhava em seus cabelos e os tornava úmidos .
A menina não entendia o motivo de tanta solidão, mesmo ela sento tão sozinha, e nunca ter sentido o calor de seus pais num abraço de acolhimento. Deus existia, e estava em seu redor.
Ela podia vê-lo bem cedinho, quando o sol se revelava , e no horizonte, sentia-o quente e reluzente, dizendo o bom dia fraternal que nunca escutou de sua mãe. Quando no caminho de volta chutava as conchinhas, que de serem muitas vislumbravam ser multidões. Almas que migravam leves sob aquele cenário harmonioso.
Podia escutá-lo deitada numa canoa abandonada, avistando os ventos que puxavam as correntezas, mirando as folhas secas que seguiam seu curso. Quando as estrelas brilhavam, lindas sob seu corpo estirado cega de tanta beleza.
Ceci vivia dentro de si uma enorme contradição. A incômoda felicidade expressa pelos fragmentos de sua essência, e a nostalgia dos mares que reviravam suas angústias.
- Será que a solidão vem de mim? Ou desse mundo onde não sei quem sou?
Pegou sua bicicleta, pediu licença a qualquer deus existente , beijou o medalhão com a foto de seus pais , abriu um portal mágico distinto entre dicotomias, e seguiu seu rumo , com Deus, com a natureza, com seus destino inquietante...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A função da Arte

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falra, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano em " O Livro dos Abraços"
terça-feira, 17 de maio de 2011
Cada alma enterra seus mortos

Curioso como a vida pode se revelar através de uma fresta. De um súbito olhar por entre as grades de uma janela. Talvez surpreenda dessa forma a quem disponibiliza sua sensibilidade, a quem todos os dias compartilhe de uma veemência na vida pela consciência avassaladora da sua ausência. Ausência de vida...
Comigo pelo menos é assim. Parece que o mundo se revela na observação das coisas fugidias, na melancolia, nas gotas de chuva de um dia de frio que corta os lábios e o faz sangrar de leve. No vento que arrebenta as certezas, no cinza que de triste se fortalece e se reconhece como contente. Definitivamente, a vida não é apenas um dia de sol, e isso também me conforta. A consciência de que a monocromia faz parte dos nossos dias, e que o vazio das cores faltantes é o impulso dilacerante para a gana que se deve ter.
Somente o sofrimento humaniza as pessoas... E essa frase não é minha. Somente no frio dos pensamentos conseguimos prestar nossas contas e amarmos sem adulações. Sem paixões, sem guerras, sem a falsa idéia do poder.
O som da voz da minha amiga foi ficando longe, bem longe... Se afastando rapidamente. Eu olhava por entre as grades, e pensava naquele cemitério, um constante cartaz, pulsante e que vibrava a sua mensagem todos os dias.
Ao contrário do terror e do pânico que nos acomete, aquele lugar fazia-se calmo, solene. Árvores, flores, um grande campo enfeitado por vasos. Cada vaso representando sua perda.
E as árvores balançavam com o vento e faziam cor no meio do cinza e do frio que envolviam toda aquela imagem. Enxergar a morte daquela distância e altura acentuava ainda mais uma visão poética e contrastada que meus olhos moles e estáticos persistem em ter.
Mas o que realmente me chamou atenção, não foi o fato de ali haver um cemitério. Isso eu já estava acostumada, já sabia. Tudo parou um instante quando debaixo da garoa cortante uma família compartilhava de um mesmo guarda – chuva. Parados, olhares baixos, abraçados pelo frio, pela chuva, pela dor. Não havia mais ninguém ali, somente aquela família e o vazio gritante na corrente dos braços entrelaçados.
Podia sentir que por mais firmes, por mais sólidos e unidos, nada era capaz de confortar a dor individual.
Um deles, um adolescente, afastou-se do grupo e ficou á mercê dos pingos enérgicos que batiam em seu corpo. Olhando aquele cenário como quem não olha nada, girando e se mexendo bestamente.
Logo em seguida, um homem abaixou-se diante das flores e com as mãos segurava a cabeça para não perdê-la de vez. Chorava. Um choro que sem som escutei. Pude escutar também a batida dos joelhos no concreto. Pude ouvir as lágrimas gritando a saudade. E ali de pé, uma senhora e uma menina. Intactas, sofridas, alisando carinhosamente os cabelos do homem. Quem aliviaria as suas dores?
Consegui me desprender daquela cena hipnotizante. Fiquei uns bons minutos ali, embaixo daquele guarda-chuva sem querer sair, sem saber se deveria, se tinha o direito.
Minha máquina estava na mochila, pertinho dos meus pés. Em momento algum pensei em fazer uma foto. Daria uma boa foto.
Voltei e a voz da minha amiga clareou. Voltamos ao que estávamos fazendo. Vimos algumas fotos no computador. Procurei não pensar.
Mais tarde, vindo para casa, sentada no trem, onde o bafo gelado embaçava os vidros e inspirava a minha filosofia, pensei em tudo o que tinha visto pela janela, entre as grades.
Em como a morte está presente, viva e pulsante em nossas vidas. E que todos dias enterramos os nossos mortos.
Sim, estamos constantemente enterrando decepções, sentimentos, pessoas as quais nos magoaram. Enterramos fases, períodos, gostos, desafetos. Muitas vezes somos obrigados a enterra-los. Enterramos até a nós mesmos quando não suportamos os nossos fardos.
Enterramos tudo isso numa caixa só nossa. Uma caixa impenetrável, inviolável. Que nunca desparecerá...
Por mais dolorosa que sejam as nossas perdas, por mais fundo tenhamos que cavar nossas mágoas, é justo que continuemos. Pois um dia fecha-se a tampa, esgota-se a cota de felicidade e sofrimento nessa nossa jornada.
E tudo o que vivemos aqui é memória.
É bom olhar pelas janelas frias e saber que apesar de tudo existe movimento...
terça-feira, 3 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Caminhos
Jean Jacques Rousseau
...
e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio...
Flávio Venturini
De volta: www.youtube.com/watch?v=cIB4w6FEllI&feature=related
domingo, 20 de março de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Amanheceu... Janeiros
A melodia breve lembrando brisa de mar
Mexendo maré num vai e vem pra se ofertar
Flor que quer desabrochar, nasceu
Dourando manhã...
Bordando areia
Com luz de candeia pra nunca se apagar.
Já passaram dias, inteirosJaneiros,
calendário que nunca chega ao fim
Início sim e só recomeçar...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O Refúgio do "Choro" numa São Paulo Contemporânea


Em meio à cracolândia, retrato exposto de nosso abandono, basta um pouco mais de calma para adentrar as ruas da boa e velha Luz. Quem sabe um pouco mais de coragem. A verdade, é que caminhando na contramão de uma sociedade aparentemente moderna, onde avanços tecnológicos tornam-se extensão do homem e o mercado se apodera de todas as relações como um cárcere de ferro, é possível resgatar a aura perdida ao encontrar uma boa e tradicional roda de choro, nos fundos de uma loja de instrumentos, que mais se apresenta com ares de templo.
O que acontece nos limites da Rua General Osório é a perfeita fusão entre o belo e grotesco, ao dividir-se num espaço tênue entre a miséria humana e o golpe de ar que nos reanima. Se Baudelaire vivesse nos dias de hoje, contaria a história diferente. O poeta não mais tomaria em suas mãos o halo perdido na porta de um prostíbulo, mas sim, caminharia entre carros e faróis frenéticos da Barão de Mauá, ajoelhando finalmente aos pés de um bandolim.
Assim é possível definir o que acontece todos os sábados naquele espaço. Um grande encontro e comoção diante das músicas e melodias que se tornam silêncio diante da alma. Em uma pequena sala se forma uma roda, onde chorões tocam para a alegria dos visitantes. A movimentação é intensa, pessoas de todos os tipos sentam-se em bancos, entregues, e transportando-se a uma época distinta a que vivem. Velhos, jovens, homens, mulheres, ricos e pobres, negros e brancos, seja lá o que for em que a vida moderna tenha transformado o homem da cidade contemporânea, ali demosntra-se a união de diversos níveis da sociedade, um verdadeiro culto ás tradições nacionais. Um verdadeiro encontro de almas que rezam numa mesma voz.
A roda se apresenta como uma reunião de amigos, onde músicos partilham de improvisações como que numa brincadeira. A tradição de uma cultura nacional, costurada a fios de cobre perpetua-se naquele ambiente. É incrível imaginar que a reunião na casa de músicos negros, mestiços e brancos na época do império, onde a mistura dos ritmos como mazurca, polka e lundu consolidaram a bases do choro, tenha se refletido e reproduzido naquele lugar.
Não se escuta falar em roda de rock, ou até mesmo de jazz. A roda é própria de uma cultura nacional renegada e desconhecida pela maioria de seu povo, que ao contrário de muitas notícias dadas na mídia, perpetua-se em pólos culturais, através da boa amizade, do encontro casual, do convite de alguém. É como se as pessoas ali presentes dividissem um mesmo ideal, e dividem, pessoas que se reconhecem através da música, de uma melodia, de olhares tristes ou até mesmo satisfeitos. É como se dividissem um mesmo refúgio diante dos absurdos que se encontra do lado de fora. É como se dissessem “estamos seguros no mundo em que escolhemos para nós. Este é o mundo que queremos não o que nos arrebata”.
O choro vive nas rodas, nos becos, nas casas onde se sirva um bom cafezinho ou uma boa rodada de cerveja. Reforça-se e renova-se. É um encontro, um refúgio, uma oração. Transgride os poderes dominantes da mídia, que marginaliza a sua própria cultura ao pouco citar o gênero e quando feito, é de maneira equivocada e preconceituosa. Reforça-se a uma ideologia de nacionalismo e preservação do que é nosso e sempre foi. O choro nunca morreu, ou retornou, também não é coisa de gente velha e chata. Prova disso é a observação das pessoas encontradas naquele local.
Ali, a arte, a música é realmente democrática, aberta e libertadora. É a oportunidade dada ao povo de escolher e ser o que realmente somos enquanto brasileiros. Mestiços, negros, índios, brancos, brasileiros
Aquela roda, assim como outras escondidas numa cidade suja e perdida de São Paulo retoma em nós a confiança diante do medo que nos reflete as cidades de uma era contemporânea.









































