
Cada passo é o encontro daquilo que sou, daquilo que acredito. Enxergo tudo o que me causa proximidade. Caminho porque não posso parar Me busco, pois, preciso ter um sentido... Minha mente percorre caminhos, além dos que posso pisar... Meras imagens? Paisagens são imagens da alma. Por onde quer que andemos, encontraremos reflexos de nós mesmos. Caminhos são escolhas... "Alquimia é reter as montanhas no olhar. O Himalaia, o Himalaia, o Himalaia inteiro..."
Meras Imagens...
Karen Facchinetti
domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O frio de Zafón

Da janela, folhas gélidas e secas balançam empurradas pelo vento. Apanham da chuva que gota a gota, zunindo o som corrente do céu, derrama-se pelo concreto, chorosa, corredeira fria de um dia cinzento.
O frio atravessa livre e imperioso pelas grades, soprando baixo contos desconhecidos.Transforma meu rosto pálido, branco, quase que em algodão. Apresenta-se penetrante, navalha que acaricia a pele.
O sopro de uma tarde como esta não assusta, nem ao menos paralisa mãos e pensamentos. Caneta há tempos adormecida.
A penumbra do apartamento acentuada pela falta da luz e pelo eco de um silêncio misterioso convoca-me claramente a recolher-me entre tintas e papéis, acolhida pelo bolo das cobertas retiradas de uma gaveta esquecida no canto da inspiração.
Longe da ânsia, dos medos, fobias que a vida me impõe, obrigo-me e sou obrigada a encontrar-me com o encantamento. Voar é preciso. Sonhar é inevitável.
Adentro um caminho emoldurado pelas curvas de uma Barcelona misteriosa, onde ruas, postes e neblinas compõem um cenário regresso de almas que iluminam. Espectros e rastros de vidas que se perpetuam através de histórias.
Em muitos momentos como este, arrebento o vidro cruel da realidade e me lanço numa fotografia qualquer. Revivo o passado que em mim habita. Despenco as escadarias de um templo escondido onde o calor dos livros me traz o fôlego da existência.
Comparo dias e noites, ventos e sombras.
Sigo o reflexo molhado dos faróis dos carros, que envoltos por camadas finas de gelo, transformam a morbidez melancólica da cidade num palco de nuances, riscando a escuridão do inverno em amarelos e vermelhos intensos.
Frios de Zafón me acometem de um movimento, no qual a arte é refúgio para dias difíceis.Frios de Zafón me levam para qualquer lugar de uma São Paulo embevecida pelas diferenças, onde pessoas ganham contrastes carregados de claro e escuro numa composição contraditória e perfeita.
Dias como este nunca chegam só. Soam latente o som de violoninos e acordeons, pungentes na antítese de um tango de Piazzola, cravando personagens entre o doce e o trágico. Transformam a vida numa gravidade pontual.
O frio atravessa livre e imperioso pelas grades, soprando baixo contos desconhecidos.Transforma meu rosto pálido, branco, quase que em algodão. Apresenta-se penetrante, navalha que acaricia a pele.
O sopro de uma tarde como esta não assusta, nem ao menos paralisa mãos e pensamentos. Caneta há tempos adormecida.
A penumbra do apartamento acentuada pela falta da luz e pelo eco de um silêncio misterioso convoca-me claramente a recolher-me entre tintas e papéis, acolhida pelo bolo das cobertas retiradas de uma gaveta esquecida no canto da inspiração.
Longe da ânsia, dos medos, fobias que a vida me impõe, obrigo-me e sou obrigada a encontrar-me com o encantamento. Voar é preciso. Sonhar é inevitável.
Adentro um caminho emoldurado pelas curvas de uma Barcelona misteriosa, onde ruas, postes e neblinas compõem um cenário regresso de almas que iluminam. Espectros e rastros de vidas que se perpetuam através de histórias.
Em muitos momentos como este, arrebento o vidro cruel da realidade e me lanço numa fotografia qualquer. Revivo o passado que em mim habita. Despenco as escadarias de um templo escondido onde o calor dos livros me traz o fôlego da existência.
Comparo dias e noites, ventos e sombras.
Sigo o reflexo molhado dos faróis dos carros, que envoltos por camadas finas de gelo, transformam a morbidez melancólica da cidade num palco de nuances, riscando a escuridão do inverno em amarelos e vermelhos intensos.
Frios de Zafón me acometem de um movimento, no qual a arte é refúgio para dias difíceis.Frios de Zafón me levam para qualquer lugar de uma São Paulo embevecida pelas diferenças, onde pessoas ganham contrastes carregados de claro e escuro numa composição contraditória e perfeita.
Dias como este nunca chegam só. Soam latente o som de violoninos e acordeons, pungentes na antítese de um tango de Piazzola, cravando personagens entre o doce e o trágico. Transformam a vida numa gravidade pontual.
Dias assim me atropelam de admiração na ausência dos risos frouxos de um verão gotejante.
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